EPISÓDIO 1
TERRA QUEIMADA

SINOPSE

Estamos na Mealhada, em setembro de 1810. Há um silêncio perturbador que paira no ar, um clima de tensão. O povo sente o seu destino a aproximar-se, tempos difíceis virão. De repente, ouve-se um homem a gritar ao longe “Fujam, levem tudo e fujam”. Todas as famílias saem para a rua confusas e preocupadas. Mas fugir para onde e porquê? E agora?
A Política da Terra Queimada entra em vigor. Gera-se o pânico, subitamente a população vê-se obrigada a destruir os seus bens e a deixar as suas casas e as suas terras, a destruir tudo o que possa servir de sustento e recurso, aos opositores - os franceses, que invadem o nosso País - para que estes não tenham por onde atacar, nem nenhum sustento ou recurso de sobrevivência. É este o único método para a salvação de uma nação. Têm de agir, destruir tudo e fugir.
Os homens da aldeia voluntariam-se e alistam-se no exército para combater contra o inimigo. Vê-se um homem a deixar a sua mulher e o seu filho recém-nascido, vê-se um jovem a despedir-se da mãe e da irmã e vê-se uma mulher preocupada que tenta tranquilizar os seus filhos, cantando-lhes uma canção de embalar. Ana, ansiosa, sentia o coração bater-lhe fora do peito, o marido, o pai dos seus filhos, deixara-os para ir lutar contra os franceses. Ela sabia que as suas vidas estavam a mudar: a guerra estava a chegar e eles teriam que largar tudo e fugir.

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Episódio 1 

As tropas francesas aproximam-se, o confronto dar-se-á muito em breve e a população vive momentos de ansiedade e sufoco. ”Queimem tudo” são as palavras de ordem que ecoam entre o povo, sob a voz das tropas anglo-lusas que por Sir Wellington ordenados fazem cumprir a retirada dos habitantes. Era chegada a hora de deixar tudo para trás e ao abandono, havia que deixar a villa deserta e desprovida de mantimentos para que nada restasse que desse recursos de sobrevivência às tropas inimigas. Preparam-se então as nossas inexperientes tropas que, acabadas de formar como que nascidas das cinzas, se posicionam estrategicamente como defesa e suporte à iminente disputa.

FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

Evento
Município da Mealhada

Criação
Caixa de Palco

Produção
NOC Teatro

Direção Artística
Marta Pires

Dramaturgia e Encenação
Joana Sarabando, João Tarrafa e Marta Pires

Produção
Filipa Almeida

Elenco
João Tarrafa, Marta Pires, Afonso Pires, Tomás Pires, Dinis Binnema

Participação Especial
Noémia Machado Lopes, José Machado Lopes, Manuela Fernandes, Jorge Sousa, Francisco Robalo,
Ana Mannarino, Ana Soares, Laura Ferreira, Carminda Batista, Elisabete Sousa

Recriadores Históricos
GREHC

Sonoplastia
João Tarrafa

Apoio à sonoplastia
Marta Pires

Fotografia
Ana Pedro Coleta

Plano de Comunicação, Divulgação e Design Gráfico
Ana Pedro Coleta e Tiago Pereira

Ilustração do espaço
Francisco Robalo

Design e Operação de luz e som
Dino da Costa

Cedência de Figurinos e Adereços
GEDEPA

Maquilhagem
Viviana Dallot

Parceiros
Oficina de Teatro do Cértima; Aguarela de Memórias; Grupo Cénico de Santa Cristina; GREHC; GEDEPA; Escuteiros da Pampilhosa; Cruz Vermelha da Mealhada; Bombeiros Voluntários da Pampilhosa

Capela de Vera Cruz

A Capela de Vera Cruz foi o local escolhido para a encenação do primeiro episódio do projeto Terra Queimada: Invasão e Resistência, selecionado pelo valor simbólico da sua ruína, ao invés de contarmos a história de um acontecimento que tenha, factualmente, ocorrido naquele espaço, como acontece com a grande maioria dos restantes episódios. Queremos com isto dizer que a história que contámos no primeiro episódio não estaria associada a este espaço em específico, mas sim, de modo abrangente, às terras da Pampilhosa, Mealhada, Vacariça e demais freguesias em redor.

Antes de mais, há que dar explicação pelo título Terra Queimada a quem leigo for sobre as Invasões Francesas, ou a quem não tenha assistido às encenações dos episódios. Este conceito, que se espalhou como título por todo o projeto, vem da Política da Terra Queimada, estratégia de guerra utilizada pelo comandante-em-chefe do exército anglo-luso Lord Wellington que consistiu em solicitar à população portuguesa que abandonasse as suas habitações, destruindo e queimando os recursos que não pudessem ser preservados. Esta logística tinha como pressuposto que as tropas que invadissem um país só conseguissem subsistir à custa dos recursos que saqueassem no seu caminho.

Há quem acredite que esta estratégia dificilmente seria aceite por outro povo que não o português, pela implicância de que os efeitos posteriores se iriam repercutir não só pelo exército invasor, mas também pela população invadida. Opiniões à parte, o facto é que a Política da Terra Queimada foi responsável pela vitória dos anglo-lusos contra os franceses, que na altura tinham o exército mais formidável de todo o mundo, liderados por um dos mais lendários estrategas da História mundial: Napoleão Bonaparte.

Sobre a Capela de Vera Cruz propriamente dita, sabemos que é a mais antiga capela edificada na Pampilhosa e que há época da história que contámos, seria a “entrada” da Pampilhosa; terá nascido no meio de terrenos agrícolas, durante o primeiro quartel do séc. XV, “num ermo” onde as vinhas e as oliveiras assumiam a proeminência na paisagem. Implantada em zonas de cultivo, a meio caminho entre Pampilhosa e Larçã, esta capela foi tema de prolongadas quezílias, logo após o seu aparecimento, motivadas por questões relacionadas com direitos de propriedade e de jurisdição, que envolveram especialmente os responsáveis do mosteiro de Lorvão e alguns habitantes das povoações circundantes à capela.

Há outro facto que ganha um contorno curioso sob o olhar do nosso presente: situada na entrada de uma localidade, a Capela era frequentemente utilizada como um local de isolamento para pessoas potencialmente contagiadas por qualquer espécie de vírus, doença ou peste, para que não se corresse o risco de esse potencial doente infetar a população da região.